quinta-feira, 11 de julho de 2024

Dois anos depois e alguns pensamentos nada originais

E cá estou no meio das minhas férias tentando arrumar coisas pra fazer e não cair no tédio. Hoje lembrei que este blog existe e, embora faça quase dois anos que não escrevo, tentarei rabiscar algo.

Não posso reclamar deste período silencioso ou nada silencioso pois tem uma banda nova acontecendo -tocar sempre me dá muito prazer e retarda meu envelhecimento interno. Música sempre foi e será minha melhor terapia. Ouvir, descobrir sons novos e não tão novos. Tenho gostado cada vez mais de coisas antigas e tento não me tornar conservador neste sentido. Espero morrer ouvindo também coisas diferentes daquelas que me formaram musical e afetivamente, embora minha lista de discos numa ilha deserta por enquanto seja imutável.

Os filhos estão crescendo e tenho a sensação que tenho me tornando cada vez menos interessante pra eles. A vida engole a gente sem pestanejar. Gosto que estejam criando asas e me parece que estão se tornando pessoas decentes e claro, tenho minha fatia de responsabilidade, assim como a mãe e as pessoas próximas. Não gosto de quantificar as coisas e há ainda muito trabalho a ser feito, correções de rumo, etc. Como costumo dizer, continuo aprendendo a ser pai.

Embora a humanidade esteja melhor do que há séculos - não, ela não aconteceu como eu esperava - tenho a impressão que, na balança da história, estejamos pendendo para um novo tipo de totalitarismo que tem deslocado os progressistas para uma região mais central do espectro que pode envolver tanto a esquerda quanto a direita. Ou talvez seja algo mais simples como somente o mundo tentando sair da crise causada pela pandemia e neste cenário, não é fácil ser governo. Neste país em particular a falta de caráter ideológico é tão grande que tenho dificuldade em nomear as coisas sob este prisma e, tenho mesmo a sensação, que minha geração morrerá tentando reverter os danos que esta época nos apresenta. 

Enfim, espero ser mais constante do que tenho sido.



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