O passado pode ser um lugar ambíguo na vida da gente. Ele já aconteceu e se por um lado nossas lembranças, pelo menos algumas, esvaem-se com os anos, outras permanecem absolutamente cristalinas na memória e eventualmente somos pegos na tentação de querer revivê-las. Não existe engano maior do que este.
Eventos, relacionamentos -fugazes ou não- e tantos outras coisas e fatos, teimam em aparecer com alguma frequência nesses quebra-cabeças mentais e, a pergunta que os acompanha é: Será que foram assim mesmo? Talvez o que nos aterrorize mais seja o fato de que os personagens envolvidos podem não se lembrar de nada sobre um dado evento. E daí a dúvida narcísica aparece: 'Poxa, foi tão importante para mim e fulano(a) esqueceu? '. São os jogos mentais que nos atormentam e que, certamente, devem ser estudados por psicanalistas e neurocientistas.
Pessoalmente, meu passado não me atormenta mais do que o esperado. Sempre tentei resolver as pendências na medida do possível. Claro que meus demônios -que aparecem na forma de arrependimentos constrangedores e que minha mente insiste em não apagar- ajudam-me a navegar neste tecido cheio de dobras que é a vida.
Voltando ao início, gosto de encarar o passado como uma escola que foi boa mas que também teve suas dores. Em geral as memórias são muito boas e me acalentam quando voltam mas é um lugar para o qual não tenho a menor vontade de voltar e deste modo, evitar o autoengano.