domingo, 21 de julho de 2024

O passado

  O passado pode ser um lugar ambíguo na vida da gente.  Ele já aconteceu e se por um lado nossas lembranças, pelo menos algumas, esvaem-se com os anos, outras permanecem absolutamente cristalinas na memória e eventualmente somos pegos na tentação de querer revivê-las. Não existe engano maior do que este.

 Eventos, relacionamentos -fugazes ou não- e tantos outras coisas e fatos, teimam em aparecer com alguma frequência nesses quebra-cabeças mentais e, a pergunta que os acompanha é: Será que foram assim mesmo? Talvez o que nos aterrorize mais seja o fato de que os personagens envolvidos podem não se lembrar de nada sobre um dado evento. E daí a dúvida narcísica aparece: 'Poxa, foi tão importante para mim e fulano(a) esqueceu? '. São os jogos mentais que nos atormentam e que, certamente, devem ser estudados por psicanalistas e neurocientistas.

Pessoalmente, meu passado não me atormenta mais do que o esperado. Sempre tentei resolver as pendências na medida do possível. Claro que meus demônios -que aparecem na forma de arrependimentos constrangedores e que minha mente insiste em não apagar-  ajudam-me a navegar neste tecido cheio de dobras que é a vida.

Voltando ao início, gosto de encarar o passado como uma escola que foi boa mas que também teve suas dores.  Em geral as memórias são muito boas e me acalentam quando voltam mas é um lugar para o qual não tenho a menor vontade de voltar e deste modo, evitar o autoengano.

quinta-feira, 11 de julho de 2024

Dois anos depois e alguns pensamentos nada originais

E cá estou no meio das minhas férias tentando arrumar coisas pra fazer e não cair no tédio. Hoje lembrei que este blog existe e, embora faça quase dois anos que não escrevo, tentarei rabiscar algo.

Não posso reclamar deste período silencioso ou nada silencioso pois tem uma banda nova acontecendo -tocar sempre me dá muito prazer e retarda meu envelhecimento interno. Música sempre foi e será minha melhor terapia. Ouvir, descobrir sons novos e não tão novos. Tenho gostado cada vez mais de coisas antigas e tento não me tornar conservador neste sentido. Espero morrer ouvindo também coisas diferentes daquelas que me formaram musical e afetivamente, embora minha lista de discos numa ilha deserta por enquanto seja imutável.

Os filhos estão crescendo e tenho a sensação que tenho me tornando cada vez menos interessante pra eles. A vida engole a gente sem pestanejar. Gosto que estejam criando asas e me parece que estão se tornando pessoas decentes e claro, tenho minha fatia de responsabilidade, assim como a mãe e as pessoas próximas. Não gosto de quantificar as coisas e há ainda muito trabalho a ser feito, correções de rumo, etc. Como costumo dizer, continuo aprendendo a ser pai.

Embora a humanidade esteja melhor do que há séculos - não, ela não aconteceu como eu esperava - tenho a impressão que, na balança da história, estejamos pendendo para um novo tipo de totalitarismo que tem deslocado os progressistas para uma região mais central do espectro que pode envolver tanto a esquerda quanto a direita. Ou talvez seja algo mais simples como somente o mundo tentando sair da crise causada pela pandemia e neste cenário, não é fácil ser governo. Neste país em particular a falta de caráter ideológico é tão grande que tenho dificuldade em nomear as coisas sob este prisma e, tenho mesmo a sensação, que minha geração morrerá tentando reverter os danos que esta época nos apresenta. 

Enfim, espero ser mais constante do que tenho sido.