Meu primeiro encontro com ele foi no final de 88 no Olímpia. Terno e boné brancos, seu violão e um showzaço com o repertório predominantemente dos anos 80. Pouco mais de 30 anos e reencontrei-o hoje, ainda de boné mas com suas tranças lindas e todo colorido. Posso dizer que valeu cada segundo do meu tempo e como eu queria que o tempo tivesse parado ali. Milton continua um gigante com voz e figura belíssimas. Desta vez, com o repertório dos discos que vão do Clube de Esquina até o Clube de Esquina 2 e uma banda pra lá de azeitada, o cara começou com Tudo que você podia ser, dominou o público com Nada Será como Antes e arrebentou nossos corações com Cais, meu primeiro choro da noite. E seguiu com um repertório de alegrar e aquecer o coração ao mesmo tempo que nos faz refletir sobre o que poderíamos ter sido e não fomos. Homenageou seus parceiros do Clube, em especial o seu gêmeo e gênio musical Lô Borges. Nos trouxe momentos agridoces e esperançosos de que podemos virar este jogo. Com Ponta de Areia tocada em uma sanfona, na versão mais bela que ouvi, volto pro meu quarto de adolescente quando descobri o disco Minas. A nostalgia me venceu e chorei de novo. Paula e Bebeto e Maria Maria fizeram de mim uma montanha russa emocional que se estabilizou com a chegada do Trem Azul do qual nunca mais quero sair depois de reve-lo. Estou certo de que esta noite vi algo que permanecerá comigo até o fim dos meus dias. Vi uma lenda de nossa música fazendo história. Viva muito Bituca!
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