Meu pai viveu 81 anos de uma vida bem divertida e também bastante abnegada cuidado da minha mãe e de mim, do jeito dele, do jeito que era possível pra alguém dos anos 30.
Quando ela morreu, há 20 anos, eu estava segurando sua mão. Ele, de tanto amor, não conseguiu vê-la partir. Quando ele morreu, eu tinha saído do hospital pra resolver umas coisas e não estava ao seu lado. Isso não me assombra, mas eu gostaria mesmo de ter estado lá e segurado sua mão. Eu já havia dito o quanto o amava e acertado minhas contas.
Embora eu soubesse que ele estava chegando ao fim, não achava que seria naquele dia, ontem fez 10 anos, e lembrei exatamente na mesma hora, quando estava voltando do trabalho.
Tudo foi resolvido rapidamente e ele foi enterrado tendo tanto quanto o possível com os familiares mais próximos na cerimônia. Talvez ele quisesse mais gente mas não deu, eu não quis continuar com aquilo tudo.
Sonho com ele e com minha mãe também e isso é bom, não há tristeza, não há coisas mal resolvidas, só uma saudade boa e um guia moral que não é perfeito, mas que espero seguir com tranquilidade até que chegue minha hora. A gente nunca sabe quando vai ser.
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