Quando era moleque e nem tv colorida a gente tinha em casa, meu pai me contava histórias da seleção brasileira, em especial, da seleção do tri. Estávamos longe do tetra ainda. Lembro-me que um tempo depois quando já tínhamos uma tv colorida, a copa de 70 foi reprisada na tv cultura. Nossa! Assisti todos os jogos na íntegra (se não me engano foi a primeira copa transmitida mundialmente em cores) e ainda hoje tenho fotografado na cabeça a genialidade daquele time em campo.
Os quase gols do Pelé, que se tivessem sido teriam estragado tudo pois toda vez que assisto ainda perco a respiração; as defesas impossíveis do Banks, e também do Felix; a força do Jairzinho, os lançamentos do Gérson, os dribles do Clodoaldo e por aí vai. Mas um gol, em especial, nunca me saiu da cabeça. O gol do Capita, Carlos Alberto Torres, recém falecido. Aquele gol pra mim, sintetiza a perfeição do futebol, do jogo coletivo, da genialidade individual também. São lances que minha memória, até o último dia, vai teimar em lembrar como se eu estivesse lá no México.
Na medida em que aqueles monstros sagrados do futebol vão nos deixando, ou me deixando, o jogo vai perdendo a graça. Imagino que por conta das lacunas que vão ficando na memória afetiva e também das comparações sempre injustas que fazemos com o cenário atual. Sempre acho que nenhum super craque atual chega aos pés do mais perna de pau da copa de 70. Definitivamente não era o caso do Capita que foi, junto com Djalma Santos, o melhor lateral direito que não vi jogar.
Aqui uso minha memória afetiva pra falar sobre música, amor e outros temas.
sexta-feira, 26 de outubro de 2018
A seleção de 70, texto perdido
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