Caetano é um daqueles artistas que sempre estiveram no meu radar desde a infância permeada pelas ondas AM.
Lá pelo final da década de oitenta dei-me conta de sua grandeza e genialidade. Em especial os discos de autor Estrangeiro, Circuladô, Tropicália 2 e o de intérprete Fina Estampa têm apelos emocionais fortíssimos em mim. Neste período foram dois shows: Circuladô Vivo e Tropicália 2 junto com Gil. Depois meu interesse arrefeceu e só fui ouvi-lo com atenção na sua trilogia indie, se é que posso chamá-la assim: Cê (que adoro), Zii e Zie e Abraçaço.
Ao assistir o show que tem feito com seus filhos, Moreno, Tom e Zeca, todos muito bons músicos e cantores e com traços do pai em suas composições, constato que de fato Caetano é uma força da natureza. Sua voz continua impecável, sua classe, suas posições e claro sua obra, que sempre esteve em sintonia com o que ocorre neste país, continua a nos prestar um serviço imenso, seja em nossas emoções, ou mesmo em nosso posicionamento frente ao mundo.
Que sorte a família Veloso tem em poder trocar e compartilhar momentos tão sublimes em cima do palco. Costumo dizer que se alguém encontra uma pessoa com a qual pode dividir sua vida com música no meio, tudo fica melhor e mais especial. Neste caso, os Veloso são privilegiados!
Desde a abertura emocionante com Alegria, Alegria passando por composições de pai e filhos, duetos entre filhos, entre pai e filho, a lista segue rememorando canções lindíssimas do patriarca em sua voz ou não, como Jenipapo Absoluto, Oração ao Tempo, Gente, Trem das Cores, Leãozinho com arranjo lindíssimo, muito parecido com a gravação original e, claro, Força Estranha, momento catártico.
Aliás, este show tem um formato e uma vibe bem Qualquer Coisa, o disco. Alguma releitura dos Beatles deste disco teria sido bem vinda ali, ou mesmo Jorge de Capadócia, do Ben Jor, pra minha festa interna ter sido completa.
Viva Caetano!
Aqui uso minha memória afetiva pra falar sobre música, amor e outros temas.
domingo, 27 de maio de 2018
sexta-feira, 18 de maio de 2018
Sobre as manhãs de outono
As manhãs de outono
são as mais difíceis
remetem ao amor perdido
às desilusões que enraivecem
às cicatrizes profundas que teimam arder
As manhãs de outono são belas
doídas, idílicas, infernais
são passado, presente
alívio, angústia
são plenas...
A vida seria sem graça sem as manhãs de outono...
são as mais difíceis
remetem ao amor perdido
às desilusões que enraivecem
às cicatrizes profundas que teimam arder
As manhãs de outono são belas
doídas, idílicas, infernais
são passado, presente
alívio, angústia
são plenas...
A vida seria sem graça sem as manhãs de outono...
Tempo Lírico
Uma
das consequências da segunda lei da Termodinâmica consiste no fato de o tempo
ter uma direção bem definida. Felizmente, nosso cérebro teima em viola-la, de
tal maneira que sempre podemos voltar ao passado para relembrar um pouco de
nossa história, que na maioria das vezes foi bem menos interessante do que
gostamos de relatar; assim somos nós,
seres humanos.
Início
dos anos 80, meu pai, Seu Fernando, obriga-me a estudar música na escola
municipal, sob a então batuta do Maestro Fioravante Lugli. Meu velho queria que
eu fosse trompetista. E lá fui eu, muito
a contragosto, imaginando algum plano mirabolante para me livrar daquilo pois
quando se tem 10 anos a última coisa que se quer é fazer algo que esperam que
você faça, acredite-me caro leitor. Obviamente a postura e fisionomia rígida do
velho maestro (com todo o carinho do mundo) me assustava. Para minha surpresa
acabei tomando gosto, muito gosto, pela coisa e, alguns poucos anos depois,
estava pronto para encarar a Corporação Musical Lira Serra Negra. Se não fosse
pela doçura, paciência e acima de tudo, caráter do meu mestre eu teria
abandonado as aulas, muito provavelmente. A partir desta convivência, um mundo
novo se abriu, literalmente, e a música nunca mais deixaria de fazer parte da
minha vida, de outras maneiras é bem verdade e que valem outras histórias. Mas
voltemos à Lira.
Primeira
noite de ensaio, se não me falha a memória, quinta-feira. O primeiro
trompetista resolve não ir ao ensaio e vejo-me com uma partitura, uma peça
chamada Morres de Amores, que sozinho eu sabia que era capaz de debulhar. E sob
a batuta do maestro João Corato ( outro gigante da música de Serra Negra ), eu
não consegui tocar uma única nota. Quem morreu, mas de vergonha, fui eu. Obviamente,
faltava-me a noção do que era tocar em grupo. Mas não desisti e, embora
atordoado pela minha inépcia, fiz disso um desafio e melhorei gradativamente,
tendo conseguido ser um tocador de trompete razoável durante meu tempo por lá.
Mas
o que eu quero mesmo relatar era o clima de amizade, companheirismo (brigas ocorriam
também, como em toda família ) que havia e quero crer, continua ‘inda hoje. A
acolhida que recebi dos mais antigos, e daqueles nem tão antigos assim, foi
fundamental e guio-me até hoje pelo exemplo de gentileza que recebi. Nem que eu
quisesse, conseguiria esquecer das festas pela cidade e pelos bairros mais
afastados, das alvoradas ( acordando a cidade toda, que imagino não ficava tão
feliz quanto eu estava ), das procissões da sexta-feira da paixão ( em uma
delas deixamos o pároco da época rezando sozinho e corremos para nos abrigar da
chuva forte ), das festas de Santa Cecília nas quais o velho Schiavo, à medida
que ia aumentando seu entusiasmo, diminuia sua fantástica clarinete até tocar
maxixes e choros só com a boquilha; lembro-me que ficava maravilhado e cheguei
a acha-lo uma espécie de bruxo musical. Poucas vezes na vida senti-me parte de
algo e, nestes anos da Lira, a sensação foi exatamente essa.
O
tempo passou e, quase uma década depois de ter começado a estudar música, saí
da casa dos meus pais para estudar,
ganhar o mundo, viver outras vidas e outros amores. Era hora de deixar
meus companheiros e seguir minha viagem sozinho. No entanto, as marcas que este
período, que estas pessoas, me deixaram sempre serão como cicatrizes das quais
a gente se orgulha! Até hoje não consigo ver a banda sem me emocionar. Parte do
que eu sou, das minhas experiências fundamentais, eu devo a estes valorosos
homens simples, alguns não mais entre nós, outros ainda nos emocionando aos
domingos na praça João Zelante ou pelas ruas da cidade, com sua música maviosa.
Não citarei mais nomes para não cometer qualquer injustiça. Todos foram
importantes e os reverencio amorosamente.
E
tudo isto, só ocorreu pois sou um serra-negrense ou serrano, ou ainda serráqueo, como diz minha prima Cilene,
e cuja denominação errada é a que eu mais gosto. Explico-me: voltar para Serra
Negra é sempre como voltar para o meu mundo particular, para o meu planeta, onde minhas raízes mais
profundas e boas estão. É como voltar
para algo fundamental que eu não sei definir precisamente. Afinal, assim são as coisas do coração...
E
pra terminar, eu espero, baseado na Segunda Lei da Termodinâmica, que o futuro
de nossa cidade, seja bem melhor do que foi o nosso passado; afinal o tempo
sempre corre para a frente!
domingo, 13 de maio de 2018
Me chame pelo seu nome
Só ontem assisti ao belíssimo Me chame pelo seu nome.
O filme trata da descoberta amorosa de um jovem adulto, Elio, por um acadêmico, Oliver, que vai passar um tempo com sua família no norte da Itália e aprender mais sobre arqueologia com seu pai, uma autoridade na área.
A beleza está justamente na sensibilidade no tratamento do tema. As angústias, dúvidas, paixões, a descoberta do sexo, são descritas com extrema sensibilidade.
A postura da família do jovem rapaz é invejável e embora seja este um filme, deveria ser regra em todas as sociedades.
As belas canções de Sufjan Stevens permeiam imagens belíssimas e claro, as atuações de Timothée Chalamet, Armie Hamer e Michael Stulhbarg são sensacionais.
O diálogo ou quase um monólogo entre pai e filho é uma das cenas mais bonitas que assisti recentemente.
Um grande filme que retrata a sorte de quem teve/tem um amor tão intenso em alguma parte de sua vida!
O filme trata da descoberta amorosa de um jovem adulto, Elio, por um acadêmico, Oliver, que vai passar um tempo com sua família no norte da Itália e aprender mais sobre arqueologia com seu pai, uma autoridade na área.
A beleza está justamente na sensibilidade no tratamento do tema. As angústias, dúvidas, paixões, a descoberta do sexo, são descritas com extrema sensibilidade.
A postura da família do jovem rapaz é invejável e embora seja este um filme, deveria ser regra em todas as sociedades.
As belas canções de Sufjan Stevens permeiam imagens belíssimas e claro, as atuações de Timothée Chalamet, Armie Hamer e Michael Stulhbarg são sensacionais.
O diálogo ou quase um monólogo entre pai e filho é uma das cenas mais bonitas que assisti recentemente.
Um grande filme que retrata a sorte de quem teve/tem um amor tão intenso em alguma parte de sua vida!
sábado, 12 de maio de 2018
Uma cidade
"Havia uma cidade
onde o vento cortava
num tempo passado
o céu estrelado
onde o vento cortava
num tempo passado
o céu estrelado
Ela,
às vezes retorna
desvirtuada na memória
trazendo com a neblina
o cheiro das flores
que foram podadas
mas que renascem distintas
na vida que segue"
às vezes retorna
desvirtuada na memória
trazendo com a neblina
o cheiro das flores
que foram podadas
mas que renascem distintas
na vida que segue"
O último beijo
"O último beijo,
a sombra que une para sempre dois corpos,
Aquele último momento,
definindo um amor que duraria pra sempre
no inconsciente romântico dos amantes frustrados
a sombra que une para sempre dois corpos,
Aquele último momento,
definindo um amor que duraria pra sempre
no inconsciente romântico dos amantes frustrados
O último beijo foi trocado,
E cada um vai pra um lado
Desejos e planos seguem seu curso
como a bruma turva do passado,
O tempo pára pros que ficaram…”
sexta-feira, 11 de maio de 2018
Naquela Fotografia
"Histórias,
lembranças,
amores feitos,
amores feitos,
desfeitos,
ordem,
ordem,
caos
o passado,
o passado,
o presente,
música,
música,
ternura,
desespero,
desejo
nada a ser dito,
nada a ser dito,
nada
a ser revisto,
tudo naquela fotografia..."
tudo naquela fotografia..."
Tempo
"Tempo, tempo, tempo
Siga sua seta implacável
Traga-me outras sensações,
outras paradas,
Deixa de brigar com a memória
Esqueça das dores
Vire na próxima esquina
Tire-me a razão e deixe-me ir
Esqueça-me no mundo,
Deixe-me sentir tudo,
Sem medo, sem culpa
De peito aberto,
para ser sempre dilacerado
E que mesmo assim se reconstrua…"
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