Incrível rever Chico Buarque depois de tanto tempo.
Classudo, com uma banda azeitadíssima, cada vez mais sofisticada.
A direção musical e os arranjos são perfeitos. Ele está cantando lindamente e o repertório é feito sob medida pra um show sóbrio mas não menos emocionante, com ainda uma cenografia de cair o queixo de tão simples e funcional.
O disco novo, as Caravanas, mais um daqueles bem acima da média, pontua. Da faixa título, os versos "Tem que bater, tem que matar, engrossa a gritaria Filha do medo, a raiva é mãe da covardia" mostram uma leitura aguçada
do que ocorre neste país.
Clássicos de diversas épocas aparecem e me deixam emocionado por razões distintas. Lily Braun, Retrato em Branco e Preto, as Vitrines e tantas outras pérolas.
No bis, Geni e o Zeppelin, com a luz de um vermelho intenso ao fundo do palco, lembra-me do menino que nos anos 70 ouvia esta música nas rádios AM e tentava entender aqueles tempos duros. Ponte entre passado e presente. Já em Futuros Amantes, na qual só ele é capaz de enfiar a palavra escafandristas e a gente achar que não há, e de fato não há, uma palavra melhor que ajuda a torná-la absurdamente linda e lírica, o amor mais fundamental daquele de filmes que nos fazem sonhar preenche todo o espaço-tempo de Einstein.
Chico, cada vez mais necessário e atual nos mostra o que é a beleza!
Deveríamos ouvi-lo....
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