Incrível rever Chico Buarque depois de tanto tempo.
Classudo, com uma banda azeitadíssima, cada vez mais sofisticada.
A direção musical e os arranjos são perfeitos. Ele está cantando lindamente e o repertório é feito sob medida pra um show sóbrio mas não menos emocionante, com ainda uma cenografia de cair o queixo de tão simples e funcional.
O disco novo, as Caravanas, mais um daqueles bem acima da média, pontua. Da faixa título, os versos "Tem que bater, tem que matar, engrossa a gritaria Filha do medo, a raiva é mãe da covardia" mostram uma leitura aguçada
do que ocorre neste país.
Clássicos de diversas épocas aparecem e me deixam emocionado por razões distintas. Lily Braun, Retrato em Branco e Preto, as Vitrines e tantas outras pérolas.
No bis, Geni e o Zeppelin, com a luz de um vermelho intenso ao fundo do palco, lembra-me do menino que nos anos 70 ouvia esta música nas rádios AM e tentava entender aqueles tempos duros. Ponte entre passado e presente. Já em Futuros Amantes, na qual só ele é capaz de enfiar a palavra escafandristas e a gente achar que não há, e de fato não há, uma palavra melhor que ajuda a torná-la absurdamente linda e lírica, o amor mais fundamental daquele de filmes que nos fazem sonhar preenche todo o espaço-tempo de Einstein.
Chico, cada vez mais necessário e atual nos mostra o que é a beleza!
Deveríamos ouvi-lo....
Aqui uso minha memória afetiva pra falar sobre música, amor e outros temas.
domingo, 29 de abril de 2018
Radiohead, um texto de 2018
Descobri o Radiohead já em sua fase final de pop britânico. O disco era o The Bends, que é legal e tem boas canções. Foi no entanto, o Ok Computer, em 1997, em meio às minhas viagens de carro pra Serra Negra, que me levou pra outro lugar e pra um outro nível. A cada nova sutileza musical descoberta no álbum, mais uma piração. Na época estava lendo o Guia do Mochileiro das Galáxias e não tinha como não adorar Paranoid Android, cujo baixo é sensacional; bem, não só o baixo! Considero este álbum, com suas distopias narradas e musicadas, uma obra prima. Depois vieram Kid A, Amnesiac ambos maravilhosos e igualmente estranhos. Não prestei muita atenção ao Hail to the Thief. Em 2001, o mundo entrava numa fase bem pra baixo da qual ainda não saiu e, este disco retrata este período símio Bush comandando o império. Não é mera coincidência....
Mas quando lançaram o In Rainbows fui arrebatado novamente pelas melodias, pela musicalidade e pela narrativa dos caras. Outro disco fundamental, pra mim o melhor da década vindoura, que ofuscou The King of Limbs, que é também muito interessante.
Finalmente, no ano retrasado veio outro petardo de elegância e estranheza: A moon shaped pool que nos mostra que o Radiohead não pode mesmo ser definido com outra palavra a não ser arte. São um caldeirão de idéias, influências, elegância e, claro, de coisas bem obscuras e estranhas algumas vezes. Mas quem disse que o belo precisa ser algo solar? Assisti-los é colocar tudo isso na cabeça e ficar processando por um bom tempo....
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