quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Ela

" E ela caiu no precipício das paixões improváveis deixando seu verdadeiro amor pra trás..."

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

A seleção de 70, texto perdido

Quando era moleque e nem tv colorida a gente tinha em casa, meu pai me contava histórias da seleção brasileira, em especial, da seleção do tri. Estávamos longe do tetra ainda. Lembro-me que um tempo depois quando já tínhamos uma tv colorida, a copa de 70 foi reprisada na tv cultura. Nossa! Assisti todos os jogos na íntegra (se não me engano foi a primeira copa transmitida mundialmente em cores) e ainda hoje tenho fotografado na cabeça a genialidade daquele time em campo.
Os quase gols do Pelé, que se tivessem sido teriam estragado tudo pois toda vez que assisto ainda perco a respiração; as defesas impossíveis do Banks, e também do Felix; a força do Jairzinho, os lançamentos do Gérson, os dribles do Clodoaldo e por aí vai. Mas um gol, em especial, nunca me saiu da cabeça. O gol do Capita, Carlos Alberto Torres, recém falecido. Aquele gol pra mim, sintetiza a perfeição do futebol, do jogo coletivo, da genialidade individual também. São lances que minha memória, até o último dia, vai teimar em lembrar como se eu estivesse lá no México.
Na medida em que aqueles monstros sagrados do futebol vão nos deixando, ou me deixando, o jogo vai perdendo a graça. Imagino que por conta das lacunas que vão ficando na memória afetiva e também das comparações sempre injustas que fazemos com o cenário atual. Sempre acho que nenhum super craque atual chega aos pés do mais perna de pau da copa de 70. Definitivamente não era o caso do Capita que foi, junto com Djalma Santos, o melhor lateral direito que não vi jogar.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

McCartney, um texto perdido

Deixem-me levá-los com minha memória pra tentar explicar o que não pode ser explicado, somente sentido.
Depois de 13 anos sem excursionar, tendo a morte do Lennon e a prisão no Japão ocorridos neste ínterim, eis que McCartney sai em turnê, e melhor, viria pro Brasil. Eu tinha 18 anos e estava no primeiro ano da universidade. Convenci meu pai a me deixar ir e tinha todo o esquema pronto com alguns colegas do Rio para a compra do ingresso e hospedagem. Serei eternamente grato aos dois por isso. O show era do disco Flowers in the Dirt, discaço do final da década de 80. Ansiedade total! O baixo do início do show era um Wal 5 cordas, o que me decepcionou um pouco pois esperava o Rickenbacker 4001 número de série DA23. Mas eis que surge em This One o icônico Hofner 501 '62. Depois de um hit atrás do outro até o final apoteótico com a mesma sequência tocada hoje eu estava plenamente saciado. É aquela história da uma campanha publicitária: a primeira vez a gente nunca esquece.
No final de 93, foi a vez de Sampa. Período feliz da minha vida! Mais um showzaço no Pacaembú. Mais felicidade!  Em toda a despedida, McCartney diz até a próxima mas eu duvidada que o assistiria de novo.
Mais um hiato marcado pela morte de Linda e de George e, 17 anos depois, ele volta ao Brasil pra iniciar uma sequência de vindas bem sucedidas. A vida tinha mudado, eu tinha mudado, mas minha devoção de beatlemaníaco ao mais trabalhador dos 4, não. Ao final de cada show eu achava que ia ser a última vez. Despedia-me em silêncio mas plenamente satisfeito e com a adrenalina a mil.
Desta vez, depois de 3 anos, a nova turnê aterrisou mais uma vez em SP e a coisa mais legal de todas é que pude dividir a experiência com meu filho mais velho, o qual, dias antes, flagrei ouvindo os Beatles de braços abertos e rodopiando pelo escritório. Contentamento é a palavra! Ver o moleque se divertindo, cantando, batendo os pés e palmas com um roteiro que eu conheço de cor, me causou nada menos do que a mesma sensação de 27 anos antes. É como se a trilha sonora da minha vida tivesse sido passada adiante. Não é mais minha; meu "DNA musical" foi transmitido eficientemente e pelo andar da carruagem, para além do meu primogênito, para minha filha mais nova, que ainda não pôde ir, mas já adora os Beatles. Se ela vai ter a chance de assistir ao McCartney eu não sei. Só espero que exista uma próxima vez. 
Aliás, ao término do show, impecável como sempre, meu filho já queria saber quando o levarei ao próximo. Só tenho que agradecer ao Paul, um dos inventores do rock moderno, junto com John, George e Ringo, pelas inúmeras viagens mágicas.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

O universo dos teus olhos




No final do dia as estrelas acendem 
contando, uma a uma, meus dias de solidão 
As cores mudam e as sensações acompanham

Fecho os olhos e vejo os teus 

e com eles, o arrebatamento da lua e da memória
orbitando juntas em sua íris

Neste vasto universo de cores e lembranças

que não me abandonam
deixo-me levar pelas forças da natureza
para nunca mais emergir



sábado, 9 de junho de 2018

Reflexo

O vento corta o rosto envelhecido
 cuja vida é refletida na janela de um ônibus vagabundo

sábado, 2 de junho de 2018

Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band

Grande parte das descobertas de um hoje quarentão aconteceram na década de 80. O Sgt. Pepper's entrou na minha vida deste jeito, talvez em 81. Lembro-me que neste caso específico, o disco foi um presente de minha mãe ( Sempre ela falando comigo depois de tanto tempo ). Eu já conhecia os Beatles e tentava colecionar os discos em ordem cronológica da banda. Havia um ritual específico que mantive até terminá-la. A cada nova aquisição, eu colocava os que já tinha, apagava as luzes do quarto e ouvia todos os anteriores novamente até finalmente chegar ao meu novo disco. Desta maneira eu aprendia e me espantava com a evolução musical da banda e, o que é mais surpreendente, num período de 5 anos desde o lançamento do Please, Please me. Os anteriores, Rubber Soul e Revolver anunciavam uma guinada no som dos caras. Mas eu não poderia imaginar o que escutaria a seguir.
Sons de uma platéia ansiosa, uma guitarra rasgada tocada pelo Paul McCartney, num vocal super roqueiro como poucos sabem fazer ainda hoje e minhas portas da percepção continuavam a se expandir. Rock com banda sinfônica, como assim? Entra Billy Shears, ou Ringo, cantando como nunca with a little help from his friends. Apoiando as camadas melódicas, um baixo ainda mais melódico pontua toda a música. A seguir, sons etéreos de um Lowrey DSO Heritage Deluxe tocado por McCartney, com um Lennon inspiradíssimo me deixam ao lado de Lucy no céu com diamantes. A âncora que mantém a viagem firme ou meus pés no chão, é o baixo Rickenbacker de McCartney indo pra uma direção totalmente independente da melodia. Um outro riff de guitarra marcante junto com baixo e baterias sofisticadíssimos dão suporte a vocais de apoio que só eles sabiam fazer. It's Getting Better all the time, e só poderia estar mesmo naquela época.
Com Fixing a Hole, She's Leaving Home e Mr. Kite, Lennon e McCartney alternam-se em genialidade com suas canções-crônicas. A primeira uma ode à psicodelia das coisas simples, a segunda uma canção de despedida, talvez da inocência de uma garota que sai da casa dos pais. Já Mr Kite, baseada em um cartaz de circo, me leva pra dentro da magia deste universo. Só Lennon poderia ter feito isso.
Entra George Harrison, atingindo o topo de sua fase indiana com Within you, Without you. Uma meta viagem musical que dá consistência às composições de seus companheiros e de certo modo, cola os lados do velho vinil, transformando-o em algo contínuo, fluido.
Paul McCartney, com When I'm 64, volta para música de um dos períodos que moldou sua formação musical celebrando lindamente, com sabedoria e ternura o envelhecimento a dois. Quanta sorte tem os casais que chegam nesta fase da vida do modo descrito na letra da canção.
Lovely Rita vem pra estourar de vez meus miolos. Um dos baixos mais sofisticados de McCartney com inúmeros acidentes na clave e novamente com uma melodia independente da música. O cotidiano fica absurdamente colorido. 
A reprise de Sgt. Pepper's, roqueira, nos prepara para o que vem a seguir. O grand finale de Lennon com um interlúdio de McCartney que rege a orquestra que vai ao infinito aleatoriamente nas notas. A Day in the Life que nos deixa totalmente rendidos, maravilhados e absolutamente convictos que o mundo da música jamais seria o mesmo, como se comprovou, e depois deste disco. 
Um crítico da época disse que Sgt. Pepper's foi um barômetro daquele tempo. Sem dúvida ele estava certo. Ninguém até hoje conseguiu descrever de maneira tão grandiosa o Zeitgeist dos 60s. Talvez por isso, este disco continue 50 anos depois sendo tão relevante para as novas gerações. Hoje vista como música clássica a obra dos Beatles permanecerá ainda por muitos séculos. Dentro dela, o Clube dos Corações Solitários do Sargento Pimenta continuará a nos maravilhar...

domingo, 27 de maio de 2018

Ofertório

Caetano é um daqueles artistas que sempre estiveram no meu radar desde a infância permeada pelas ondas AM.
Lá pelo final da década de oitenta dei-me conta de sua grandeza e genialidade. Em especial os discos de autor Estrangeiro, Circuladô, Tropicália 2 e o de intérprete Fina Estampa têm apelos emocionais fortíssimos em mim. Neste período foram dois shows: Circuladô Vivo e Tropicália 2 junto com Gil. Depois meu interesse arrefeceu e só fui ouvi-lo com atenção na sua trilogia indie, se é que posso chamá-la assim: Cê (que adoro), Zii e Zie e Abraçaço.
Ao assistir o show que tem feito com seus filhos,  Moreno, Tom e Zeca, todos muito bons músicos e cantores e com traços do pai em suas composições, constato que de fato Caetano é uma força da natureza. Sua voz continua impecável, sua classe, suas posições e claro sua obra, que sempre esteve em sintonia com o que ocorre neste país, continua a nos prestar um serviço imenso, seja em nossas emoções, ou mesmo em nosso posicionamento frente ao mundo.
Que sorte a família Veloso tem em poder trocar e compartilhar momentos tão sublimes em cima do palco. Costumo dizer que se alguém encontra uma pessoa com a qual pode dividir sua vida com música no meio, tudo fica melhor e mais especial. Neste caso, os Veloso são privilegiados!
Desde a abertura emocionante com Alegria, Alegria passando por composições de pai e filhos, duetos entre filhos, entre pai e filho, a lista segue rememorando canções lindíssimas do patriarca em sua voz ou não, como Jenipapo Absoluto, Oração ao Tempo, Gente, Trem das Cores, Leãozinho com arranjo lindíssimo, muito parecido com a gravação original e, claro, Força Estranha, momento catártico.
Aliás, este show tem um formato e uma vibe bem Qualquer Coisa, o disco. Alguma releitura dos Beatles deste disco teria sido bem vinda ali, ou mesmo Jorge de Capadócia, do Ben Jor, pra minha festa interna ter sido completa.
Viva Caetano!

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Sobre as manhãs de outono

As manhãs de outono
são as mais difíceis
remetem ao amor perdido
às desilusões que enraivecem
às cicatrizes profundas que teimam arder

As manhãs de outono são belas
doídas, idílicas, infernais
são passado, presente
alívio, angústia
são plenas...

A vida seria sem graça sem as manhãs de outono...



Tempo Lírico


Uma das consequências da segunda lei da Termodinâmica consiste no fato de o tempo ter uma direção bem definida. Felizmente, nosso cérebro teima em viola-la, de tal maneira que sempre podemos voltar ao passado para relembrar um pouco de nossa história, que na maioria das vezes foi bem menos interessante do que gostamos de relatar;  assim somos nós, seres humanos.
Início dos anos 80, meu pai, Seu Fernando, obriga-me a estudar música na escola municipal, sob a então batuta do Maestro Fioravante Lugli. Meu velho queria que eu fosse trompetista.  E lá fui eu, muito a contragosto, imaginando algum plano mirabolante para me livrar daquilo pois quando se tem 10 anos a última coisa que se quer é fazer algo que esperam que você faça, acredite-me caro leitor. Obviamente a postura e fisionomia rígida do velho maestro (com todo o carinho do mundo) me assustava. Para minha surpresa acabei tomando gosto, muito gosto, pela coisa e, alguns poucos anos depois, estava pronto para encarar a Corporação Musical Lira Serra Negra. Se não fosse pela doçura, paciência e acima de tudo, caráter do meu mestre eu teria abandonado as aulas, muito provavelmente. A partir desta convivência, um mundo novo se abriu, literalmente, e a música nunca mais deixaria de fazer parte da minha vida, de outras maneiras é bem verdade e que valem outras histórias. Mas voltemos à Lira.
Primeira noite de ensaio, se não me falha a memória, quinta-feira. O primeiro trompetista resolve não ir ao ensaio e vejo-me com uma partitura, uma peça chamada Morres de Amores, que sozinho eu sabia que era capaz de debulhar. E sob a batuta do maestro João Corato ( outro gigante da música de Serra Negra ), eu não consegui tocar uma única nota. Quem morreu, mas de vergonha, fui eu. Obviamente, faltava-me a noção do que era tocar em grupo. Mas não desisti e, embora atordoado pela minha inépcia, fiz disso um desafio e melhorei gradativamente, tendo conseguido ser um tocador de trompete razoável durante meu tempo por lá.
Mas o que eu quero mesmo relatar era o clima de amizade, companheirismo (brigas ocorriam também, como em toda família ) que havia e quero crer, continua ‘inda hoje. A acolhida que recebi dos mais antigos, e daqueles nem tão antigos assim, foi fundamental e guio-me até hoje pelo exemplo de gentileza que recebi. Nem que eu quisesse, conseguiria esquecer das festas pela cidade e pelos bairros mais afastados, das alvoradas ( acordando a cidade toda, que imagino não ficava tão feliz quanto eu estava ), das procissões da sexta-feira da paixão ( em uma delas deixamos o pároco da época rezando sozinho e corremos para nos abrigar da chuva forte ), das festas de Santa Cecília nas quais o velho Schiavo, à medida que ia aumentando seu entusiasmo, diminuia sua fantástica clarinete até tocar maxixes e choros só com a boquilha; lembro-me que ficava maravilhado e cheguei a acha-lo uma espécie de bruxo musical. Poucas vezes na vida senti-me parte de algo e, nestes anos da Lira, a sensação foi exatamente essa.
O tempo passou e, quase uma década depois de ter começado a estudar música, saí da casa dos meus pais para estudar,  ganhar o mundo, viver outras vidas e outros amores. Era hora de deixar meus companheiros e seguir minha viagem sozinho. No entanto, as marcas que este período, que estas pessoas, me deixaram sempre serão como cicatrizes das quais a gente se orgulha! Até hoje não consigo ver a banda sem me emocionar. Parte do que eu sou, das minhas experiências fundamentais, eu devo a estes valorosos homens simples, alguns não mais entre nós, outros ainda nos emocionando aos domingos na praça João Zelante ou pelas ruas da cidade, com sua música maviosa. Não citarei mais nomes para não cometer qualquer injustiça. Todos foram importantes e os reverencio amorosamente.
E tudo isto, só ocorreu pois sou um serra-negrense ou serrano, ou ainda serráqueo, como diz minha prima Cilene, e cuja denominação errada é a que eu mais gosto. Explico-me: voltar para Serra Negra é sempre como voltar para o meu mundo particular, para o meu planeta, onde minhas raízes mais profundas e boas estão.  É como voltar para algo fundamental que eu não sei definir precisamente.  Afinal, assim são as coisas do coração...
E pra terminar, eu espero, baseado na Segunda Lei da Termodinâmica, que o futuro de nossa cidade, seja bem melhor do que foi o nosso passado; afinal o tempo sempre corre para a frente!

domingo, 13 de maio de 2018

Me chame pelo seu nome

Só ontem assisti ao belíssimo Me chame pelo seu nome.
O filme trata da descoberta amorosa de um jovem adulto, Elio, por um acadêmico, Oliver, que vai passar um tempo com sua família no norte da Itália e aprender mais sobre arqueologia com seu pai, uma autoridade na área.
A beleza está justamente na sensibilidade no tratamento do tema. As angústias, dúvidas, paixões, a descoberta do sexo, são descritas com extrema sensibilidade.
A postura da família do jovem rapaz é invejável e embora seja este um filme, deveria ser regra em todas as sociedades.
As belas canções de Sufjan Stevens permeiam imagens belíssimas e claro, as atuações de Timothée Chalamet, Armie Hamer e Michael Stulhbarg são sensacionais.
O diálogo ou quase um monólogo entre pai e filho é uma das cenas mais bonitas que assisti recentemente.
Um grande filme que retrata a sorte de quem teve/tem um amor tão intenso em alguma parte de sua vida!

sábado, 12 de maio de 2018

Uma cidade




"Havia uma cidade
onde o vento cortava
num tempo passado
o céu estrelado
Ela,
às vezes retorna
desvirtuada na memória
trazendo com a neblina
o cheiro das flores
que foram podadas
mas que renascem distintas
na vida que segue"

O último beijo




"O último beijo, 
a sombra que une para sempre dois corpos,
Aquele último momento,
definindo um amor que duraria pra sempre
no inconsciente romântico dos amantes frustrados

O último beijo foi trocado,
E cada um vai pra um lado
Desejos e planos seguem seu curso
como a bruma turva do passado,
O tempo pára pros que ficaram…”

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Naquela Fotografia




"Histórias,
lembranças,
amores feitos,
desfeitos,
ordem,
caos
o passado,
o presente, 
música,
ternura,
desespero,
desejo
nada a ser dito,
nada a ser revisto,
tudo naquela fotografia..."