Pois é, eu estava no Morumbi no primeiro show do velho Macca em SP (e o segundo no Brasil) depois de 17 anos! Neste texto eu gostaria de falar um pouco sobre isto.
Eu conheci a obra do Paul bem no início dos anos 80 quando também conheci os Beatles. Devia ter uns 11 anos e começava a me ligar em música. Na verdade já era ligado em música mas não Rock. Ganhei um 20 Greatest Hits dos Beatles da minha Tia Berê e ouvi de cabo a rabo. Nem preciso dizer que pirei. O disco começa com She Loves You e termina com The Long and Winding Road. Foi uma primeira impressão sem precedentes na minha história. E virei um beatlemaníaco quase de carteirinha. Lembro-me que toda vez que vinha a São Paulo levava pra casa um "novo disco" dos Beatles ou do Paul McCartney. Só mais tarde me abri pros outros Beatles e hoje confesso que não tenho um Beatle preferido, variando periodicamente.
Na época havia estourado nas rádios o disco Thriller e um tempo depois veio o Pipes of Peace, que tem entre suas faixas Say Say Say e The Man (dele e do Jacko). Foi meu primeiro disco do Paul e eu o adoro até hoje apesar de ser sobra do Tug of War, é mole? O cara se deu ao luxo de lançar um disco de sobras na minha opinião tão legal quanto o primeiro. Foi aí que tudo começou prá mim.
Revendo-o no palco com a energia de um garoto, com o domínio total do público e desfilando clássico atrás de clássico (desculpem-me seus detratores ou intelectualóides de plantão) dei-me conta de que aquilo que ele atingiu na vida é algo realmente grande! São pouco mais de 50 anos de trabalho e de estrada e gerações se encontrando pra celebrar sua música, sua história, seu papel na cultura do século XX. Realmente ele é o Cara, diria o Obama! E continua relevante e fazendo coisas relevantes, isto é o que mais me surpreende. Tudo isto por amor ao ofício.
Difícil não ter inveja (no bom sentido) de alguém como ele que ainda consegue se divertir com seu trabalho como um iniciante! Bem, ele até pode se dar ao luxo de deixar clássicos de fora de um show que o evento não perderia em nada o caráter catártico que teve. É, eu confesso que estou meio cansado de Let it be, Hey Jude e Yesterday. Mesmo assim a qualidade destas canções é indiscutível.
Em tempo, a organização estava sofrível, como sempre no Brasil. Preços altíssimos, nenhum conforto pra se chegar ou sair do estádio. Nenhuma organização das filas ( como nós brasileiros gostamos de uma, né? ). Transporte sofrível. Sem contar a taxa de conveniência da operadora de ingressos que constitui-se em um assalto a mão armada. Ah, a esta divisão em setores premium, prime ou o caralho e o resto é de doer. Ou há VIPs demais no Brasil ou estamos ficando mais burros.