Pois é, eu tava pensando como a vida das pessoas pode mudar diametralmente sem aviso prévio.
Um exame de rotina que pode detectar algo estranho que, se verificado com mais profundidade, dá um diagnóstico assustador, um câncer. Um exame ainda mais aprofundado mostra que ao mesmo tempo em que a extensão não é pequena, o tipo de câncer não é o mais agressivo. Pronto, o mundo caiu como cantava a Maysa...
Sinônimo de morte certa? Talvez sim, talvez não. Medicina não é uma ciência exata, cada caso é um caso, mas os danos psicológicos, ah estes são irremediavelmente terríveis prá família e obviamente para o paciente. Muito provavelmente esta é uma luta inglória que é difícil avaliar se vale a pena ou não ser lutada.
Eu tendo a aceitar que a vida é assim, que o câncer em sua maioria é algo que acomete pessoas mais velhas, que já passaram seu DNA adiante e portanto, sob um ponto de vista evolutivo, já cumpriram sua função biológica. Obviamente existe o câncer infantil que é terrível, mas sob, novamente o ponto de vista evolutivo, é uma regra de seleção natural.
Afinal, quando a expectativa de vida era bem menor, em meados do século XIX por exemplo, este era um problema que não era considerado, assim como o Alzheimer por exemplo. Mesmo que eu esteja enganado quanto à importância do câncer em tempos remotos, eu acho que esta aproximação é em alguma medida verdadeira.
Claro que esta é uma análise fria e nada pode medir a dor das pessoas envolvidas, a sensação de se perder um ente que foi e continua sendo fundamental na vida da gente. Mas talvez nestas horas seja bom não pensar em revolta ou em qualquer tipo de injustiça divina. O negócio é celebrar a vida destas pessoas e ficar com as boas lembranças.
Como dizia o Lennon: Deus é um conceito inventado pra medir o tamanho da nossa dor.
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