Pois é, o tempo realmente passa de maneira impiedosa...
Ontem mesmo eu fiz 17 anos, saí da casa do meu pai. Lembro que na primeira curva da estrada já tinha deixado pra trás tanta coisa. Engraçado como isto ainda é nítido em mim.
Cheguei pra morar em São Paulo em 1989, o primeiro ano do resto da minha vida, e de muita gente. O país estava se redemocratizando (afinal em 1985 as eleições foram indiretas e o Tancredo havia morrido).
O dia estava chuvoso, era quase a famosa garoa paulistana. Uma visão linda era a Paulista toda vermelha com as luzes dos freios e dos faróis.
Meu tio me levou ao Bar Brahma no centro e tomamos uns chopp's e comemos bolinhos de bacalhau, como esquecer? Depois de algum tempo, foi doído saber que ele não estava muito contente em me hospedar em sua casa. Não acredito em vida após a morte mas mesmo assim, espero que ele esteja num bom lugar hoje. Sempre terei ótimas lembranças dele...
Lembro-me que o ano anterior havia sido especialmente bom. Ía com uns amigos ao clube nadar e conversar sobre o futuro do qual não tínhamos muita idéia de como seria. Acho que a maioria destas pessoas está bem e na luta, como se diz. O fato é que, quando a gente sai sai do nosso habitat, a gente tem claro de que nada mais será como antes (parafraseando o Milton). As muitas estradas que um dia se encontraram dificilmente convergirão novamente.
Mas ganhamos outras coisas, outros amigos, outra vida. Como esquecer da Ana, do Jayr (grandes conversas com este cara que nunca mais vi...), do Renato (sei que este foi pro ITA e também nunca mais o vi..), das aulas de redação no cursinho, do FT, do Giuseppe de matemática, da escadaria do Objetivo Paulista, da estréia do Batman (que é verdade não chega aos pés da versão mais nova), de assistir Indiana Jones e a última cruzada na primeira fila do cinema com a Ana, das panfletagens pelo Roberto Freire, das festas no Partido Comunista onde eu, João e Jayr subíamos a Consolação a pé, conversando sobre política e jazz, completamente bêbados de vodca que provavelmente não era russa. Os shows do projeto SP, o cinema no meio da tarde.
Bem, o ano acabou, todo mundo seguiu seu caminho. Fui pra Unicamp e os amigos pra outros lugares (mas esta é outra história...). Daquele ano que parece que ainda não terminou, ainda tem a Ana, de quem tenho todas as cartas que trocamos nestes anos todos. Este texto é pra ela....
Nenhum comentário:
Postar um comentário