quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Indignação

Nos últimos tempos, desde a morte da menina Isabella Nardoni, notei que os casos de violência contra crianças pareceram pipocar na mídia. Provavelmente, antes da própria Isabela, crimes brutais como estes venham ocorrendo com alguma frequência. Agora, mais uma vez, um menino de 9 anos foi morto dentro da própria escola por um tiro, até onde sei de calibre 38.

Devo dizer que, como pai, notícias como estas me deixam com um nó na garganta e um incômodo desesperador. Como pode alguém, um adulto na grande maioria das vezes, agir com uma violência desmedida contra um ser indefeso que só tem dentro de si uma vontade imensa de descobrir as coisas, de saber como o mundo funciona, que só tem inocência e alegria, e que fundamentalmente nos dão esperança de construir um mundo melhor? Como pode?

Por mais que seres-humanos (estes párias não deveriam receber esta denominação) possam ter transtornos psicológicos ou outras coisas que são colocadas de um ponto de vista jurídico, não se pode perder o foco sobre o crime terrível, abominável. 

Muito embora eu entenda que a lei existe e que deve ser cumprida, afinal somos seres racionais e não podemos tratar irracionalidades com mais irracionalidade, custa-me muito acreditar em recuperação do indivíduo nestes casos. Não, não defendo a redução da maioridade penal, nem a pena de morte mas nestes casos considero que não deve haver benefícios para o criminoso. Posso estar errado, contudo.

Pessoalmente, defendo o investimento nas camadas frágeis da sociedade, um sistema prisional justo onde presos recuperáveis sejam de fato recolocados no convívio social e que mereçam outra oportunidade de reerguerem.

Ficam as questões.....

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

No meio de um dia qualquer

Cá estou, olhando pra tela do computador. Com um quaquilhão de coisas a fazer e num estado quase entorpecido. Não, não usei drogas! Simplesmente não saio do lugar naquilo que estou fazendo e isto me irrita profundamente. Nada está funcionando, todas as saídas mentais que me proponho não chegam a lugar algum.

Com as pálpebras caídas, semblante indiferente, queria estar em outro lugar qualquer que eu também não sei qual é. Este estado letárgico me corrói, e não consigo fazer absolutamente nada neste momento para sair dele. Desesperador...

As pernas doem, as perguntas me soam todas sem sentido. Esboço um sorriso e as respondo sem refletir por um instante sequer. Engraçado como conseguimos estar em outro estado no espaço-tempo e ninguém ao redor perceber....

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Música pra uma terça sonolenta

-I'm so tired -The Beatles  (White Album)
- Good night - The Beatles (White Album)
-I'm only sleeping - The Beatles (Revolver)
-Golden Slumbers - The Beatles (Abbey Road)

domingo, 26 de setembro de 2010

São Paulo, 1989

Pois é, o tempo realmente passa de maneira impiedosa...
Ontem mesmo eu fiz 17 anos, saí da casa do meu pai. Lembro que na primeira curva da estrada já tinha deixado pra trás tanta coisa. Engraçado como isto ainda é nítido em mim.

Cheguei pra morar em São Paulo em 1989, o primeiro ano do resto da minha vida, e de muita gente. O país estava se redemocratizando (afinal em 1985 as eleições foram indiretas e o Tancredo havia morrido). 
O dia estava chuvoso, era quase a famosa garoa paulistana. Uma visão linda era a Paulista toda vermelha com as luzes dos freios e dos faróis.
Meu tio me levou ao Bar Brahma no centro e tomamos uns chopp's e comemos bolinhos de bacalhau, como esquecer? Depois de algum tempo, foi doído saber que ele não estava muito contente em me hospedar em sua casa. Não acredito em vida após a morte mas mesmo assim, espero que ele esteja num bom lugar hoje. Sempre terei ótimas lembranças dele...

Lembro-me que o ano anterior havia sido especialmente bom. Ía com uns amigos ao clube nadar e conversar sobre o futuro do qual não tínhamos muita idéia de como seria. Acho que a maioria destas pessoas está bem e na luta, como se diz. O fato é que, quando a gente sai sai do nosso habitat, a gente tem claro de que nada mais será como antes (parafraseando o Milton). As muitas estradas que um dia se encontraram dificilmente convergirão novamente.

Mas ganhamos outras coisas, outros amigos, outra vida. Como esquecer da Ana, do Jayr (grandes conversas com este cara que nunca mais vi...), do Renato (sei que este foi pro ITA e também nunca mais o vi..), das aulas de redação no cursinho, do FT, do Giuseppe de matemática, da escadaria do Objetivo Paulista, da estréia do Batman (que é verdade não chega aos pés da versão mais nova), de assistir Indiana Jones e a última cruzada na primeira fila do cinema com a Ana, das panfletagens pelo Roberto Freire, das festas no Partido Comunista onde eu, João e Jayr subíamos a Consolação a pé, conversando sobre política e jazz, completamente bêbados de vodca que provavelmente não era russa. Os shows do projeto SP, o cinema no meio da tarde. 

Bem, o ano acabou, todo mundo seguiu seu caminho. Fui pra Unicamp e os amigos pra outros lugares (mas esta é outra história...). Daquele ano que parece que ainda não terminou, ainda tem a Ana, de quem tenho todas as cartas que trocamos nestes anos todos. Este texto é pra ela....

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Músicas para um final de semana cinzento


Kid A (o disco todo), Radiohead
In Rainbows ( o disco todo), Radiohead
The Eraser, Thom Yorke
The birth of the cool, Miles Davis e Chet Baker
1996, Ryuichi Sakamoto
Soul of the Tango: The music of Piazzolla, Yo-Yo Ma

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Shrink

Cá estou após assistir a um filme bem decente, Shrink, com o genial e agora execrado Kevin Spacey. Não sei porque diabos a 2001 acha que aquilo é comédia. Definitivamente não é, mas sem dúvida é um belo filme que fez minhas engrenagens cerebrais se movimentarem imediatamente a ponto de me trazerem pra esta tela.
Bem, a história mostra um bando de gente que está literalmente despedaçada por dentro, que procura um psicólogo, psiquiatra ou psico-terapeuta, segundo o dicionário (aqui no Brasil são profissões distintas, até onde sei) que é o mais ferrado deles, by far..
Não, este blog não é um spoiler e não vou contar o filme, mas ele me fez pensar na razão pela qual, em alguns momentos de nossas vidas, nos sentimos tremendamente sós, mesmo não estando de fato. Quer dizer, a maioria tem família, amigos, mas mesmo assim, tudo parece tão desesperador, sem uma luz no fim do túnel que uma solidão inevitável vem, e todo o sentido que buscamos para esta vida, perde-se momentaneamente.
Nem estou falando de perdas que, dependendo de como ocorrem, podem literalmente nos tirar o chão e nos jogar pra abismos, quase inescaláveis (existe esta palavra?). Trust me, já estive lá...
Mas o que me fez pensar mesmo, é que como a partir de um desespero, de um marasmo profundo que nos assola, ainda assim conseguimos nos reconstruir, tocar a vida, mesmo com a dor dilacerante que não vai embora e teima em avisar vez ou outra que está lá sim, e sempre vai estar.
Isto eu acho interessante nos seres-humanos. Continuar vivendo e buscar uma solução, apesar de tudo, de todos os medos que nos assolam, da solidão que sentimos, das perdas que são inevitáveis, das merdas que fazemos. Aparentemente, existe uma vontade de acertar que muitas vezes de um jeito misterioso (não no sentido religioso, antes que alguém venha me dizer isto mas sim relacionado à nossa cadeia evolutiva)  nos leva adiante...
A propósito, a música tema é bem legal!


terça-feira, 21 de setembro de 2010

Caminhos virtuais


Sons nítidos na cidade surda,
pessoas nobres, sentimentos vis
Dentro de cada um, ou no meio fio
incoerências que fluem como um rio

Cada um com seus caminhos virtuais
perdidos na noite, fingindo-se ideiais
Dentro de nós, ou no meio fio
mentiras que fluem como um rio

Não há mais espaço pra nós dois
nestes tempos pouco românticos
Não há solução pro nosso amor,
melhor deixar tudo pra depois.

Em cada esquina, em meio aos temporais
almas solitárias sem seus pares ideais
Dentro de cada um, ou no meio fio
sutilezas que fluem como um rio



Escrita e gravada entre 2004-2006

Empty Song

The river in me will flow forever
and it's not the same
could I make it better?
I'm between the devil and the deep blue see
Is it possible to carry on?
Maybe that's my fee

Many times I've cried,
many lives I've lived
but I did not realize
mine was so complete
Many times I'll fight
and many times I'll die

The sun is shinning in somebody's eyes
why not in my mind?
Maybe one more time
Why should I stay here,
if there's no reason to wait?
I'm sure I'll carry on
maybe we'll meet someday


Escrita e gravada entre 2002-2004

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O Universo ao redor

Estrada do sol, 
vento solar
montanhas ao fundo
que vão rumo ao mar

Cheiro de mato
na sua voz
Estrelas nos olhos
e o Universo ao redor

Noites de outono,
mistérios do olhar
Uma mulher, 
a Terra a girar

Livros na estante
que o pó não comeu
nossa história
que o mundo perdeu

Trilhos tão velhos 
te trazem aqui
Sonhos que acordam
em meio ao cetim

Outra estação
este trem vai partir
A gare se apressa
e vc 'inda aqui...



Escrita e gravada entre 2002-2006

domingo, 19 de setembro de 2010

Músicas pra ouvir, esvaziar a mente e curtir...

Into the light - Led Zep
That's the way -Led Zep
Tangerine -Led Zep
Going to California -Led Zep
Rocket Man - Elton John
Tiny Dancer -Elton John
Summertime - Gershwin, mas a versão da Ella e do Armstrong é imbatível
Solsbury Hill -Peter Gabriel
Mind Games  - John Lennon
Mamunia - Wings
Warm and Beautiful -Wings

Desagradável...

Lendo os jornais de domingo, inevitavelmente deparo-me com as notícias de política. Ao que parece as eleições presidenciais e estadual, em específico no caso de São Paulo, parecem favas contadas.
De um lado, o PT deve ganhar no primeiro turno a presidência, de outro o PSDB deve ganhar, mais uma vez, o governo paulista. E sinto dizer, mais uma vez, estamos ferrados dudes!!  Explico-me brevemente:
No governo petista temos visto uma aparelhagem do estado brasileiro com os companheiros que, sob o meu ponto de vista, vai causar danos que serão muito difíceis de se recuperar em curto prazo: Gente incompetente, corrupta, salafrária, adepta de negociatas está tomando conta do organismo que deveria funcionar independentemente de quem estiver no poder. 

Eu não sei como as pessoas conseguem ouvir o nosso mandatário: Tem um discurso vazio e popularesco, no entanto autêntico, devo reconhecer. Não, não voto no PSDB que, embora mereça crédito por algumas coisas (boas e ruins) que estão aí, não é nada diferente dos vermelhos. Talvez sejam mais neo-liberais e ao invés de colocar a tucanada na aparelhagem do estado, eles loteariam as fatias deste entre aliados, ou venderiam a mãe de todo mundo a preço de banana ou trocando por dinheiro podre. 

O ponto aqui é: Surpreende-me o fato de um não enxergar o outro como seu semelhante. Os tucanos dizendo que não têm as mesmas práticas petistas é de doer, o Alckimim e o Mercadante discutindo política educacional e energética é de virar o estômago. A Dilma, que realmente parece inventada e o Serra, que todos já sabemos do que é capaz não me parecem cenários nem de perto ideiais!  Não pro país que eu sonho ou sonhava, sei lá. A gente vai ficando velho e cada vez mais céticos em relação a tudo.  Só pra constar: O projeto para a saúde dos dois não é prioritário de acordo com especialistas, de acordo com FSP (neste caso acho quedá pra levar a sério a reportabem), muito embora, sob o ponto de vista eleitoreiro, estes planos são o que o povão quer mesmo. E dá-lhe médicos especialistas pra galera! Saúde da família e prevenção realmente não dao ibope!

Tudo isto me faz refletir recorrentemente ao longo dos últimos anos sobre o quanto canalhas somos como sociedade. Recusamo-nos a abrir mão do individual em favor do bem estar coletivo, mesmo sabendo que o benefício de todos também vai a favor do indivíduo. É so participar de alguma reunião de condomínio, de alguma congregação ou qualquer outra coisa pra você ver...

Eu gostaria muito de uma terceira via! Com gente fina, elegante e sincera governando mas isto me parece uma utopia cada vez mais distante. Dizem que é culpa de o Príncipe do Maquiavel que quase nenhum político brasileiro leu, mas que todos seguem à risca....

Em tempo, hoje vi o Caetano na televisão pedindo votos pra Marina. Bem, se ele que é, até onde sei, ateu está pedindo votos pra um evangélica, que me parece ser criacionista (alguém me corrija se eu estiver errado, pois sinto-me mal sendo injusto...), é porque realmente a coisa está feia, muito feia!!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Música pra ouvir na estrada

Sweetheart of the Rodeo - The Birds -
American I-VI -Johnny Cash-
I'm not there original soundtrack -Dylan, pelos outros-
Listener Supported -  Dave Matthews Band -
Snakes and Arrows - Rush-

E a noite

E a noite não vai dizer onde trem vai parar,
nem dos olhos castanhos no infinito negro do céu,
dos pensamentos  não encontrados do outro lado da lua,
dos desejos que um dia foram muito mais que sonhos

E a noite vem nos dizer das palavras nunca ditas
amigas da alma e do bem querer
E a noite vem nos acordar pro dia que vai nascer
É chegada a hora de levantar e viver

Não vai parar,
Não vai sofrer,
Há sempre um lugar
em algum olhar


                         Escrita entre 2005-2007

More and Better Blues

Um dia desses, eu estava na livraria Cultura fazendo hora para ensaiar com minha banda de blues e encontrei um livro do Oliver Sacks que se chama Alucinações Musicais. Gostei do título e da capa. Determinadas combinações de cores me atraem e confesso que já comprei muitos livros e discos pela capa, sem qualquer recomendação prévia. Até onde consigo lembrar não me arrependi em nenhuma escolha. Mas não quero escrever sobre este livro que ainda não li. Ele vai ter que esperar a fila andar, como se diz hoje em dia, desde que sou um ser unidimensional quando leio. Sou fiel a meus livros e me relaciono intensamente somente com um de cada vez. Vou escrever sobre música que é o meu amor, provavelmente, mais antigo.
 O que realmente importa é o efeito que a música tem sobre mim e sobre um monte de gente. Já pincelei este assunto num outro texto. Como muitos sabem, existe um poder terapêutico no ato de participar de um encontro musical, seja como ouvinte, seja como músico. Pessoas com algum tipo de limitação libertam-se  quando fazem parte de um coral, por exemplo. Outros, simplesmente ao ouvir um determinado tipo de música melhoram de humor e o dia fica melhor. A neurociência demonstra os benefícios da música em vários cenários, alguns desoladores.
Como ainda, espero ter tempo o suficiente neste planeta a coisa é mais frugal, e quando toco é com se viajasse no referencial do instrumento. Uma vez li que um contrabaixista famoso quando tocava, ele e seu instrumento tornavam-se uma coisa só. É mais ou menos por aí. Entro num estado catártico e por algum tempo tudo fica melhor, não há público, não há nada que me tire deste instante e  não há limites entre o meu braço e o do instrumento. Nestes intervalos não sei conscientemente o que faço mas a coisa funciona. Como cada momento é particular, nunca toco uma música de um mesmo jeito. Esta é a beleza da história. Diversas possibilidades inconscientes.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Pra espantar ou trazer de vez os demônios...

- Exile on main street, Rolling Stones
- Brian Wilson reimagines Gershwin, Brian Wilson
- Doo bop, Miles Davis
- A love supreme, J. Coltrane
- White Album, The Beatles

Entre uma respirada e outra...

Cá estou mais uma vez e surpreso com a minha capacidade de vomitar textos (não que eu os ache grande coisa, mas como terapia bem vagabunda, servem!). Vai ver tinha algo reprimido em mim, ou era só uma grande dor de barriga que durava um enorme tempo.
Entre o quaquilhão de coisas que estou fazendo ao mesmo tempo vou despejar agora minha ira contra o pensamento/comportamento pequeno burguês (sim, eu assumo que sou um e me odeio por isto!).
Pô, tem coisa mais brega que este tal de twitter?  Tudo bem, tem gente bacana por lá que eventualmente solta umas frases que acabam aparecendo em jornais, revistas e tal. Mas pelo amor dos meus filhinhos, será que o mundo não tem nada melhor prá fazer do que ficar bisbilhotando a rotina dos outros? E o pior, os outros não tem nada melhor pra fazer do que ficar falando pros demais o que estão fazendo naqueles exatos segundos de sua mísera existência?
Por que diabos eu, ou outra pessoa, quer saber se fulano, sicrano ou beltrano está com dor de barriga, ou vai pros EUA na primavera, ou deu uma bela trepada na noite anterior?? Santa falta do que fazer, diria o Robin...E isto vale pra qualquer rede social similar.  Depois de ter cometido orkuticídio há um bom tempo, acho que vou fazer isto no facebook É, acho que tenho tendências suicidas virtuais...
Vá lá, alguém pode dizer que sou demodé, antiquado, anti-social e o diabo! Fuck them, sou mesmo e não tô nem aí com a merda. Não tenho paciência pra falar mais do que 18 segundos ao telefone, quanto mais twittar ou coisas equivalentes. Se bem que é mais rápido...Hum, não tinha pensado nisso...whatever...
Aposto que existem acadêmicos de plantão escrevendo teses, se é que já não saíram, sobre o fenômeno comportamental dos anos 2000, maneiras mais arrojadas de comunicação entre as pessoas e como isto vai definir as relações num futuro próximo. Ok, alguma função isto vai ter. Dar bolsas pra um monte de gente esperta. Mas que é brega, é.....
Talvez com o tempo  o sistema se auto-regule e as pessoas passem a ter auto-censura, que nunca é demais, diga-se de passagem. O ruim é ter censura imposta pelos outros.
Eu não quero ter um milhão de amigos...privacidade é boa e eu gosto!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Nobody's picture

He was a loner
Maybe a king without reign
For sure a nowhere man
Or still, he was the fool on the hill
Writting silly stupid things for the love of his life
that was dancing in a strawberry field

She was the needle and the damage done
He was as an old furniture in the yard
waiting to be, taken away

She was the flower he never had
a shinny star over his head
she was every morning after a cold night
a tear drop falling from his eyes
                                                            



Escrita e gravada  entre 2002-2003, talvez 2004

Agora

Agora é a hora
d'ir embora
nesta estrada que apavora
que é a vida,
imponderável

Sofrer,
Chorar,
Cantar,
Os males que se espantam,
são lados de um dado
que não pára de rolar

Círculos, Quadrados
Triângulos, Esquadros
Nada ajusta este teu olhar,

Infinito,
Indefindo
Radiante,
Inquitante
Azuleja o pensamento
Faz voltar o tempo

Eu não sei onde tudo vai dar
Pr'onde esta rua vai
Eu não quero nem saber
Só me interessa você

                                                    Escrita entre 2005-2006

Treme

Em meio a uma simulação e outra, cá estou eu. Como voces podem perceber estou numa fase de brainstorm merdal e acabo despejando aqui  os dejetos da minha mente. Pois bem, chega de falar de coisas chatas como política, minha indignação com um monte de coisas, etc.

Por acaso, peguei sem querer uma série que começou a ser exibida na HBO, cujo nome é Treme. Ela mostra a rotina das pessoas de um bairro, Treme, destruído pelo Katrina em Nova Orleans. O que quero falar não é sobre as agruras, nem sobre o processo de reconstrução da vida destas pessoas que é do que trata a série, e sim da trilha sonora que é exuberante. Tem uma mistura do bom e velho jazz tradicional de Nova Orleans até o Hip-Hop, misturado com blues e jazz que fazem o sangue de qualquer um que goste de música, ferver.

Aliás, acho incrível como a música pode afetar a vida e o humor das pessoas, independente do gosto de cada um. Se bem que li em alguma Physics Today, há muito tempo, se não me falha a memória que um físico russo famoso e genial, o Landau, não curtia! Não consigo me imaginar num mundo sem.

Talvez seja a única linguagem universal. Até mais do que a matemática, que é restrita a um determinado grupo de pessoas. Bem, sempre se pode argumentar que música é matemática, mas quero deixar de fora este lado analítico neste tópico.

Então é isto, se voce gosta só um pouquinho de música, vai atrás da trilha desta série. Obviamente pra quem puder, vale a pena acompanhar, pois a música é  o grande fio condutor da série.

Copa do mundo ou um tiro no próprio pé?

Pois é, tardiamente vou falar de um tema que tem me incomodado.
Tenho acompanhado com alguma distância esta discussão toda acerca de São Paulo participar da abertura da Copa de 2014. Depois de várias indas e vindas neste imbroglio todo, parece que a coisa vai, e o Corinthians vai ter um estádio lá em Itaquera. Isto se tudo correr como os políticos acham....
Obviamente o problema não é um determinado time construir um estádio em qualquer lugar que seja. Desde que o dinheiro seja privado, por mim pode-se fazer o que for. Só que sabemos que, neste paisinho de quinta, a coisa não é assim: Depois do Pan-Americano ter estourado seu orçamento em muita grana e até agora, pelo que me consta, nada aconteceu, eu duvido de-o-dó que a construção deste estádio, ou de qualquer outro pelo Brasil, não use dinheiro público e mais, que sejam super faturadas.
Neste caso, o investimento em coisas que realmente importam como saneamento básico, educação, despoluição do Tietê, melhorias nos sistema de transporte público, saúde, segurança, etc, etc, etc, serão colocados em planos inferiores e no final teremos uns estádios bacanas que vão ser sub-utilizados. Resulatdo: A população vai continuar na merda, quase que literalmente, segundo a Rita Lee.
A pergunta que faço, embora seja um amante do futebol e de Copas do Mundo em especial, é: Precisamos realmente de uma neste momento? Ou será que a estamos trazendo pra cá pela nossa auto-estima de país que dizem que está chegando lá? Não seria muito cedo? São Paulo, precisa mesmo de outro estádio, dado que o público presente em jogos rotineiros é sempre abaixo do esperado? Precisamos gastar um absurdo pra fazer um jogo da seleção brasileira?
Bem, toda esta história me parece aquela do sujeito que não tem grana pra botar comida na mesa, vive endividado, mas tem um carro do ano em sua garagem. Vai ver é isto que todos somos..

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Velhas, bem velhas questões

Pois é, cá estou novamente.
Tomando umas e outras com meu velho amigo Emílio num boteco do lado de casa ( assim eu posso tropeçar bêbado na rua e cair em casa sem grandes estragos) recorrentemente começamos a filosofar sobre a vida (Filosofia de boteco é foda pois te leva a acreditar que realmente você está falando algo importante naquele momento do espaço-tempo.). E não raras as vezes, a velha questão acerca da existência ou não de Deus, ou qualquer nome que se queira dar pro velhinho barbudo (favor não confundir com papai-noel), surge. Assim como, o que vai ser da gente depois que nos formos.
Eu tendo a achar que Deus é um conceito inventado pela gente para nos dar conforto durante a vida toda para que na hora do juízo aguentemos o tranco.
A verdade é que a gente morre de medo de morrer e acabar por aí. E só por isto, eu entendo que recorramos aos mais estapafúrdios subterfúgios para justificar nossa existência que, sob o ponto de vista do universo, é insignificante. Mesmo que sejamos uns Einsteins ou Newtons da vida, ainda assim, seríamos relevantes para uma espécie somente (Bem, é verdade que até que se prove o contrário, estamos sós neste Universão. Não vamos falar da área 51 aqui, ok?
O ponto é: Por que diabos a gente precisa ir pra um lugar melhor/pior ou até pra um purgatório depois que morrermos? Por que as pessoas tendem a achar que não acaba ali? Por que é tão difícil aceitar que somos obra de um puta de um acaso e, que num piscar de olhos na escala de tempo do universo, podemos desaparecer? Será que realmente vale a pena comprar um terreninho no céu, ou seja lá o que for? A coisa mais sábia que ouvi sobre religião veio de um muçulmano maluco que conheci na França: O cara dizia que a religião foi criada para servir o homem e não o contrário. Parece que temos feito tudo errado ao longo da história....
Porque não aceitar nossa irrelevância nesta porra (que aliás é beeem legal!). Se tivermos sorte depois de umas duas gerações (ou três) ainda seremos lembrados pelos familiares, isto supondo que não vamos bolar nenhuma teoria revolucionária, ser maiores que os Beatles ou Bethoven, nem sacanear muita gente ao mesmo tempo. Com azar, nossa história desaparecerá mais rápido do que isto. And that´s the way it is!
Qual a dificuldade de aceitarmos tranquilamente a evolução das espécies sem alguém inteligente por trás comandando os processos todos?Somos tão manés assim que não conseguimos lidar com a solião da espécie?
Bem, quando chegar a minha hora e eu estiver com a roupa ou fralda geriátrica borrada de medo, talvez eu mude de opinião, mas por hora tenho certeza de que somos mesmo poeira de estrelas e voltaremos a ser.


Mais uma

Bem, depois de mais de dois anos, sem ter escrito uma linha sequer neste blog, cá estou...
Peço desculpas ao leitor pelo português errado e desatualizado. Recuso-me a concordar com esta porra deste acordo ortográfico. Nem o velho eu aprendi, quanto mais o novo. Mas, deixando a divagação de lado, vamos ao que interessa.

Depois de mais uma copa do mundo frustrante, que não vale a pena ser lembrada, falemos de coisas mais sérias, ou as Eleições na República das Bananas.

Tendo sido militante afetivo do partido comunista lá nos idos de 1989, sempre votei na esquerda. Bem, isto quando havia a polarização ideológica que a meu ver, não existe mais. Votei sim, no Luís Inácio duas vezes (é bem verdade que na segunda foi de nariz tapado) pois se o nosso sociólogo-mor teve direito a dois mandatos, o metalúrgico-mor também tinha na minha opinião. O argumento é este mesmo! Chinfrinzinho e ingênuo.

Eu achava que o tom do diálogo fosse mudar, ou seja, achava que o novo governo iria chegar e falar pros caras: `Olha galera, menos tá? Vamos ter parcimônia na corrupa...'. E confesso que fiquei bastante supreso com o desenrolar de toda a história ao longos destes 8 anos. O que vi, foi justamente o contrário! Uma cara de pau, pra dizer o mínimo, absurda. No resto, hoje em dia, não vejo grandes diferenças entre tucanos e petistas. Uns aliados com o DEMO, os outros com o clã Sarney e outros notórios 'políticos' destas terras. Realmente uma glória!

Tudo isto pra dizer que a gente tá ferrado, irmão! Prá onde quer que se olhe, não vemos nenhum partido com vontade real de promover a educação de qualidade neste país, a ciência, ou tecnologia. Costumo dizer que se a coisa continuar deste jeito, viraremos uma India. Tudo bem, a gente precisa tirar muita gente da linha de pobreza, mas será que não dá pra ensinar a pescar também, ao invés de dar o peixe prontinho? Tá certo que a brasileirada vai ter que trepar muito pra chegar a um bi de habitantes, mas como dizia o mote da campanha do Obama: Yes, we can!

Aposto que se alguém perguntar pra maioria dos políticos: 'Por que eu devo votar em sua excelência, o candidato?', o bichinho não vai saber responder. Tenta, pra ver!

Chega por hoje. Quem sabe eu volto logo, quem sabe não...